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ASCENSÃO AMERICANA

20 Maio, 2008

Era outono de 2008 em Curitiba e o vento soprava em qualquer direção. No céu uma nuvem estacionava 7 quilômetros de visibilidade zero. Fé em Deus Ícaro! Era inverno de 1986 na Carolina do Norte, céu limpo dia claro. Era professora e ia dar aulas no espaço. As estrelas não seriam mais só dos militares. Era padre e se amarrou a mil balões mais leves que o ar, Superfantástico. O vento sempre sopra. Todo cuidado e todo controle espacial Americano… Toda pompa e todo 10… 9… 8…7… Depois das nuvens ele queria beijar a raiva de Deus. O vento sempre sopra em qualquer direção. O padre subiu, subiu, subiu, sinal da cruz, gritos emocionados… e lá vai a Challenger subindo, subindo, subindo, explodindo, explodindo… Huston we have a problem… Aplausos no Cabo Canaveral… Superfantasticamente Adeus.

paranóia com brócolis (7A)

21 Janeiro, 2008

naquela adorável hora noturna de Ford.
os luxos letais.o velho paralítico continua a sua corrida,
me acostumei com vexames.

os tranquilos swamis hindus de Hollywood,
os gigantes malucos de Boston mascam conservas e filosofam que os guetos trazem sensação de vida.

os marcianos de Detroit,
os narcisos da Louisiana,
os santuários concretos de Portland.

o prazer de ser vigiado
(love ruins everything)

vou buscando tua (minha) essência……………

os intrincados pântanos da Florida e os prisioneiros de Pittsburgh.
camponesas gregas descem as ladeiras do Ohio com cestas de cólera na cabeça,
procuram poesia em tudo.

não existe homem forte desde que inventaram a pólvora.

o alto chamado da grande maçonaria americana do Arkansas,
os Homeros de Little Rock e seus oráculos.

as paredes pulsam aqui posso perceber tudo respirar como se meu batimento cardíaco controlasse o pulsar dos tijolos que mais parecem batimentos da casa que respira pelos tetos de móveis flutuantes com gás de hélio. Esse foi o balé de tijolos mais bonito que já ví na vida.

se Ginsberg decretou The Fall of America,
eu ouço Lou Reed no banco de trás.

 as the world falls down

procuro
ainda.

7A.

Miami 2

26 Novembro, 2007

Colocar um nome nas coisas seria colocar etiquetas com seus preços. A poesia de Miami não classifica as coisas, é o poema da ausência de artigos, a polidez do frágil, cemitérios de arranha-céus. Venha ver os pincéis invisíveis formarem seus haikais de propagandas, venha ser visto pela televisão (espelho invertido), a tela forma o alfabeto. A poesia nasce do samurai nas coisas, da instabilidade. a história joga pela vidraça todas suas nuvens de chumbo. A censura é o próprio espetáculo, a inocência cósmica é o jogo a ser buscado. Bebês marcianos passeiam no costume do planeta, o sonho coletivo é a cidade, o filme absoluto. a grande partitura (cada degrau é um som, cada TV um caracol). Cabeças humanas com etiquetas, só o exílio sonoro da memória eletrônica nos salva, nos salvou do espiral da deusa imã sem sol. Cada recordação cria sua própria legenda, seus faróis de petróleo, que o abandono seja a própria festa, que os grafites elétricos sejam oráculo para nossa próxima bíblia. Que se possa respeitar os espíritos dos carros enguiçados. O sonho coletivo é a cidade, Miami, o único filme absoluto.

Miami

26 Novembro, 2007

Mas como ser feliz em Cocunut Grove? Como entender as metades de South Miami? Broward County, Broward County. Lá onde Stallone trançou os Coral Gables, lá onde o rebanho do hip-hop se expandiu por quartos absurdamente vermelhos. Como encontrar bispo Sardinha aqui no Monkey Jungle Playhouse? Para os parques do amanhecer caminhamos desde sempre, caminhamos por ilhas chuvosas, todas são luzes novas nos olhos velhos. A ambulância da felicidade chega em Chopin Plaza… lá está minha estátua desde sempre. Collins Avenue, Ocean drive 500: Meus satélites estão conectados com os escombros do acaba-mundo. Eu sempre esperei.