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Careless love

29 Julho, 2008

Repara nessa estrada aberta na frente da tua tela,peixes pulam enquanto as nuvens púrpuras passam. Asfaltos estrebucham em um corpo caído que vai e vai e vai pelas linhas amarelas do horizonte. O professor pólvora sobrevive à nobreza do submundo de Portland mostrado por Gus Van Sant. O Henrique IV das latrinas e seus eternos cowboys de farmácias à meia-noite. As freiras vestem seus parangolés para muito além de serras elétricas laranjas. Balançamos compulsivamente nossas bandeiras em nosso desespero lisérgico. E as ciências só funcionam bem com as televisões fora do ar. Antigamente era o mundo dentro do mundo refletindo todo o resto, selvagem e adorável; cacos de arco-íris com índios dançando. Agora nós, os índios urbanos que atravessam as procissões beckettianas nas discotecas dos desiludidos radioativos e vermelhos. Gritando para o espaço com nossas poças de girassóis gigantes e argamassas siderais de pequenos apocalipses.E o que acontece com as musas quando elas apodrecem? O que representa tal iminência? E o que sobrará das musas de gasolina e cera? E será que agora os elevadores sobem e sobem e sobem para sempre E os elevadores sobem e sobem e sobem para sempre.. E seria a AMAZON a última tentativa de invadir Manaus; ou teria o White Stripes deito melhor ao tocar ao vivo na Ópera Amazonense pela MTV? Mas White Stripes; afinal qual é seu boi preferido em Parintins? Bumba meu Bull? Britney é a Marisa Monte do século XXI? Seria a Britney a verdadeira Deusa EUÁ ? Caê do cabelo platinado é o James Dean que o Lebronx merece? Mas onde você estava quando as torres choraram?

Até que todos os livros sejam queimados e vivamos um grande Fahreinheit 451, a objetividade sensitiva intrínseca da celebração será a do rito indigena extinto, belíssimo em um museu. O que sobreviverá não será o discurso, mas o poético sob todos os discursos? Enquanto isso Bob Dylan Thomas troveja: ´´ Yippee! I’m a poet, and I know it. Hope I don’t blow it.“ “. E se para Picasso as musas de gasolina se abriam como girassóis de plástico, muito se deve ao mito alado pós-segunda guerra de Nova Iorque. Este grande careca dialoga com o poderio de holofotes de escuro Griffith Fritz Lang fundando Hollywood e depois indo sambar nas costas de pseudo-origens em Matisses Rembrandts; quando foi Max Ernst que inventou a pedra pop de urinóis na luz de telas apagadas e touros de wall street com sacos lambidos pelas grupies de um romantismo yuppie que ecoa e ecoa nos beijos abençoados por Liechtenstein e imitados pelo Baixo Leblon. Cores inimitáveis por anões e máfias de araque; coringas continuam sorrindo no Michigan. E a capa de e.e. cummings continua explodindo pelas Fifths Avenues de nossas entranhas em amores mal ditos na empáfia pop. No aparato da história, um tigre descansa. Segui caminho e, numa de suas viagens encontrou a ponte que conecta este mundo a outra dimensão. Está esperando que saltemos. Pois com passos firmes e fortes de sua pele e seu suave coração. Quando seu sorriso inquebrantável se tornar habitual em nós, os rinocerontes estarão dispostos a nos revelar mistérios em parabólicas de ar. E Basquiat continuará a grafitar ondas por seus muros invisíveis que nenhuma lente embaçada de clichês pseudo-pop intelectuais jamais verá. É. Gotham City esquadrinha falsos diamantes a serem dilacerados pelos aeroportos de pânico; e o não dito sempre arderá muito mais em Guernicas patrocinadas pelo MOMA e CNNs; aplaudidas em guardanapos. Acreditemos muito mais na fúria das histórias do que nas argamassas de destinos. E enquanto isso Hendrix expande sua dissonância em ruídos verdadeiros; calemos-nos para ouvir o único silêncio a ser esculpido que importa.

A Deusa EUÁ

23 Janeiro, 2008

mas como enfrentar o trágico?
os altares vivos (as pesssoas) veneram a senhora dos disfarses,
as geladeiras guardam e escondem todas as horas mortas.amantes da guerra e do silêncio se unam agora! a tigresa EUÁ e as raízes da lua irão deglutir a noite no próximo intervalo comercial. a senhora dos venenos há quem diga que virá para ressucitar Jonh F. Kennedy.coma seus alimentos imaginários e fume a fumaça que não existe,
há quem afirme que a senhora da invisibilidade virá para implantar o dia do vermelho, azul e branco em todos os terreiros da confederação, suas estrelas são da mais alta e nítida vertigem.
a terrível mulher pássaro virá para redescobrir o verdadeiro Estados Unidos do Universo,
a padroeira dos ventríloquos e a senhora dos sonhos é nossa mãe no Império do Transe,
da camuflagem à metamorfose, a senhora camaleão é a tradutora do infinito entre nós.
é o caos entre o dia e a noite,
é o karma da suavização dos Sete céus para terra,
são as Sete encruzilhadas,
são os Sete governadores comendo marshmallow no grande útero universal,
são as Sete novas divindades no sangrar dos horizontes dos pássaros de metal ,
são os Sete Novos conclamando a concórdia das 50 estrelas,
são as nossas 50 estradas fundamentais.
a senhora das ilusões parida pelo sopro dos espelhos proibidos,
a senhora das cópias, a senhora da memória,
podemos afirmar, sem susto, que EUÁ trocaria qualquer iguaria por um pretzel do Brooklyn temperado com camarão seco, dendê e onion rings.

a galinha te humilhou sujando sua roupa branca impecável?

para aqueles que não suportam a beleza das coisas há sempre a possibildade de religar a parte branca do arco-íris, pessoas que desaparecem.

zé carioca pilintra
joe pilintra carioca

os Sete Poetas (Domingos, Augusto e Mariano) se transformarão em pombos para espalhar suas sementes pela terra, Ogum cria o pincel e EUA lhe dá vida, eternizando-o em uma tela de Renoir, Ogum inventa a máquina fotográfica; e EUÁ cria a arte do cinema. Evoé Holllywood!

o grande chefe general e a senhora do mimetismo,
papai urbano e mamãe menininha de New Hampshire,
Uncle Sam de Xangô e a ialorixá Jacqueline Kennedy,
Franklin Roosevelt de Ogum e George Washington de Exu.

isso tudo nos explica bem o uso excessivo de pipocas no sacrifício.

a senhora da transparência fala em inglês, responde em alemão e francês, ao mesmo tempo que lê uma revista de arte em italiano e atende o telefone em espanhol no meio da Broadway……..

parentes de santo e seus cartões de crédito,
John Fitzgerald Kennedy de EUÁ,
que o orixá yankee e seus alvos invisíveis imitem os nebulosos gestos de caça,
nenhum babalorixá jamais irá jamais conseguir imitar os passos de Elvis Xangô Presley,
a calmaria de seu twist barra-vento.

senhores da defesa da ilusão, bebam a aguá do rio sono, a resposta dos ebós e seus convidados noturnos virá tal qual flecha da senhora das guerras, ela é o próprio horizonte, vamos viver de tempo.

“É vodum maioquê, é vodum maioquê, Presley, Presley…….”
“EUÁ, EUÁ majô, EUÁ, EUÁ……….”

7A

paranóia com brócolis (7A)

21 Janeiro, 2008

naquela adorável hora noturna de Ford.
os luxos letais.o velho paralítico continua a sua corrida,
me acostumei com vexames.

os tranquilos swamis hindus de Hollywood,
os gigantes malucos de Boston mascam conservas e filosofam que os guetos trazem sensação de vida.

os marcianos de Detroit,
os narcisos da Louisiana,
os santuários concretos de Portland.

o prazer de ser vigiado
(love ruins everything)

vou buscando tua (minha) essência……………

os intrincados pântanos da Florida e os prisioneiros de Pittsburgh.
camponesas gregas descem as ladeiras do Ohio com cestas de cólera na cabeça,
procuram poesia em tudo.

não existe homem forte desde que inventaram a pólvora.

o alto chamado da grande maçonaria americana do Arkansas,
os Homeros de Little Rock e seus oráculos.

as paredes pulsam aqui posso perceber tudo respirar como se meu batimento cardíaco controlasse o pulsar dos tijolos que mais parecem batimentos da casa que respira pelos tetos de móveis flutuantes com gás de hélio. Esse foi o balé de tijolos mais bonito que já ví na vida.

se Ginsberg decretou The Fall of America,
eu ouço Lou Reed no banco de trás.

 as the world falls down

procuro
ainda.

7A.

Taoísmo POP

13 Dezembro, 2007

Os grandes conglomerados urbanos começam a produzir seus novos deuses de tempestades. Guardam-se as nuvens nos bolsos. A mulata Suze canta um samba em japonês. Nas calçadas lotadas da Virginia, os vidros acabam se tornando os personagens:

- Você é um lixo humano fantástico, corrupto, mercenário e encantador, o pior amigo da história. Devia renunciar agora. Você sabe que virou nosso amigo se beneficiando da corrupção.

A cidade ficou incompreensível de tão grande que só mesmo os profetas bêbados e geniais podem decifrá-las em pequenas doses de surpresa.

Em Maryland agora a bruxa da roleta assombra a ponta da vassoura nos olhos da TV. Foi uma agonia e uma pressão muito grande, mas o universo colaborou com a gente. A lassidão tropical dos idiotas automatizados do tédio se reunirá aqui às nove horas em ponto no mosaico medieval de Flush Meadows.

Os índios hopi do Utah com sua dialética sem bem nem mal há muito estão adiantadíssimos na questão da dilaceração da amargura da indústria pop. Como diria nosso profeta Jorge Mautner: “A consciência, ao perder a inocência das cidades, dificilmente vai cicatrizar”.

A angústia é o movimento dessa dança, a negritude atômica de Baltimore sabe que o fio da navalha está iluminado nos refletores de relâmpagos. Os Estados Unidos da Vertigem não duvidam que Washington é muito mais Roma do que Roma.

As orações taoístas nos servem porque o agora é somente um raio laser, essa é nossa telepatia, são 25 horas por dia da dança total permanente do beisebol, feitiçaria e candomblé. Entender os anos 80 como a obra de arte total: pintor escreve, escritor pinta, cineasta faz poesia e o poeta faz cinema.

Dicas do tirano: – Fiz um treino de arco e flecha por 2 horas. Depois, treinamos pênaltis e as mulheres tinham que acertar em determinado canto. A desocupada que não cumpria as tarefas tinha que mostrar como se cicatriza a inocência das cidades para as demais. Na Suíça, por exemplo, chamei um relojoeiro e todas as patricinhas tiveram de montar um relógio. Estimulei o cérebro delas. Uma flor que não consegue desabrochar, acaba murchando:

- As mulheres são geniais, mas se não conseguem entender a cultura local, desaparecem.

As tiranetes brutais dos grandes conglomerados urbanos nos mostram que nesse momento Malone morre pelos circos elétricos, a Old Buffalo de Brasília e seus cassinos indígenas esclarecem  que as filhas de santo fazem descer a pomba-gira de Padre Antônio Vieira.

As trabalhadoras do sexo, antigamente erroneamente chamadas de prostitutas comprovam que a cibernética comunista é hoje a nova religiosidade que te permite andar a cavalo em busca de relações profundas na Internet.Taoísmo POP, a deusa EUÁ da sedução dos espelhos deformadores nos iluminou que somente os distraídos podem se apaixonar.

Os realitys shows do Marquês de Sade foram reduzidos em sex-shops com trombetas tocando na passagem. Somos os restos dos restos dos restos dos restos das cinzas das estrelas.Transformar o Oceano Pacífico em limonada para as pessoas beberem e deglutirem a carne digital. Ligue agora mesmo para a Lama Foundation!!!!!!!!

A deusa EUÁ da raiz tribal sânscrita e as técnicas arcaicas do êxtase: O tolo número um se repete por todas salas que escurecem, de Washington a capital romana da Vertigem: Somente Kubrick conseguiu tragar Zaratrusta.

Aqueça a máquina pelas multidões de Utah, leia poesia, faça uma massagem, faça amor com ela. Hoje é aniversário da máquina, cantemos parabéns para ela: Aqui é só colocar uma semente e regar com chuva ácida que em menos de dois anos já se nasce um Shopping Center.

Muita folha de arruda para ressuscitar Kennedy. Por aqui se comemora as harmonias tensas sem juízo final. E se você quiser o seu Taoísmo POP mande seu poema de concreto para os universos temporais da Lama às leis do Karma para as oito milhões e quatrocentas mil espécies de Salt Lake City. America I know it’s only love, but I like it.

Último mantra: O pão lunar libertará o Império de Utah de todo cativeiro kármico, já que esses “ismos” decerto são formas muito atraentes de se falsear devoção: Pintor escreve, escritor pinta, cineasta faz poesia e  poeta faz cinema.

Do alto da supermegablaster confiança, os heróis totêmicos do país dos xamãs imitam os acidentes visionários de Alfred Jarry. O exército de espíritos em suas escadas rituais desconfia das violentas caricaturas em roupas de madeira. Se sabe que o apetite para o delírio só é mesmo possível em um cenário pintado por Toulouse-Lutrec com brinquedos fora e marionetes ao redor. Nothing is real until it’s gone.

Mantra três: A dança total permanente do beisebol, feitiçaria e candomblé.

Mantra dois: O Oceano Pacífico é uma mera limonada para deglutir a carne digital.

Mantra um: Está mais do que na hora de enterrar todos os escombros dos anos 90.

Os Bastidores Anônimos de Kansas City

27 Novembro, 2007

para Edmund White 

A cruel noite chuvosa da América, para a noite voraz da estrada. Em algum lugar ao longo da estrada eu sabia que haveria garotas, visões e tudo mais, na estrada, em algum lugar, a pérola me seria ofertada. (…) Nessa época eles dançavam pelas ruas como piões frenéticos e eu me arrastava na mesma direção como tenho feito toda minha vida, sempre rastejando atrás de pessoas que me interessam, porque, para mim, pessoas mesmo são os loucos, os que estão loucos para viver, loucos para falar, loucos para serem salvos, que querem tudo ao mesmo tempo agora, aqueles que nunca bocejam e jamais falam chavões, mas queimam, queimam, queimam como fabulosos fogos de artifício explodindo como constelações em cujo fervilhante-pop!- pode-se ver um brilho azul e intenso até que todos ´´aaaaaah!“. Estávamos no teto da América e tudo o que podíamos fazer era gritar pelas ruas do Kansas City toda aquela coisa louca, palmeiras e drive-ins, uma terra prometida e esfarrapada, o limite fantástico da América numa aurora descolorida do entardecer rumo às planíceies do Kansas.”

Jack Kerouac


Kansas City é uma cidade enorme, do mesmo jeito que Milwaukee e Denver. Nova York é uma aldeia, Londres uma coleção de aldeias e Paris é uma roça. Um lugar onde se pode dormir o dia inteiro se quiser descolar heroína, ou se perder nos cafés filosóficos da cidade de Kansas. Em Kansas City se pode reparar uma estrambótica tolerância com outras raças e credos, é possível mastigar seus fantasmas, se pode até barganhar a própria esposa em um mini-shopping sórdido para gente assolada ao meio-dia.


Como afirma Edmund White, o Kansas City de futurista virou passé direto, nunca pertenceu ao presente. Além do mercado de pássaros e poules deluxe, você pode visitar os esgotos e catacumbas pelas eletricidades dos milagres da manhã.

No Kansas todos os bairros são normalmente lindos, atraentes e plenos de delícias insuspeitas, ídolos de vidro, paralelogramas de silêncio, tiranias mágicas que nos levam até as garotas de preto e os seus soturnos namorados existencialistas, exibem uma formidável agonia pela Johnson Douglas Avenue posando para fotógrafos das gélidas iluminações cintilantes.


Zeitgeist, as crianças tristes batem suas asas, aqui você não pode sofrer nem mesmo se for um poeta. No Kansas o espelho é tão grande que a multidão vaga feito louca pelas ruas famélicas, quase ninguém conhece os áridos bastidores anônimos, a paisagem alucinatória dos véus dos andaimes.

Aqui se acaba de desencavar outro templo etrusco no excessivo passado do Kansas que resplandece nos bairros calmos para turistas e viúvas de guerra (o excessivo passado não oprime mais). Em cada esquina do Kansas ocorre um milagre sobre os brilhantes trilhos suspensos do metrô levitação, ao lado de pardais esmioloando migalhas. O Nebraska finalmente é devolvido aos índios pré-históricos.

As famosas Kansas Hellfighters conversam em inglês arcaico nos inferninhos de Bricktop (na beleza impossível dos cabelos pintados de cor de tijolo), alguma coisa lembra os guinchos de uma girafa viajando em anfetamina, sempre ofertando a todos muitas plumas e um microfone de diamantes falsos, instantâneos mentais colecionados em álbuns.


Último instantâneo: As saídas art-noveau das escolas de tubarões, o flâneur vaga pela Platte Wyandotte, a um pulo de Bonner Springs, para o norte e leste. Conexão Constantinopla-Kansas, um quarto vivo em que as demolições e o som de cidades atropeladas conversam com a surdez dos fotógrafos de ar. Um museu de caça na nova Roma, o Kansas possui cantos bizarros onde o lance que alguém dá no leilão da imortalidade passa desapercebido pelos desastres fascinantes do teto devorado por asas de borboleta.


Pequeníssimos espamos de marionetes dimensionadas para uma raça de titãs: Crianças ululam e raspam o céu destes litorais sem molduras. Esquadrões de exímios orgiastas em seus costumes de veludo com apliques de fúria nos clubes do Haxixe de Prathersville, misses Américas andróginas nos santuários de febre, Paul Valery come montanhas rochosas de caramelo enquanto Jack Kerouac reclama da falta de sal nas correntes de relógios.


O Kansas City e suas mulheres acariciando unicórnios, um yankee flutua com seu umbigo ensandecido como se viajar de ácido pela Pleasent Grove fosse realmente possível. Mãos atadas nas árvores por de trás dele pessimamente desenhadas mais parecem segurar sua auréola na cabeça, chapéu de mendigo-rei,  jokerman nas fumaças de vias-lácteas e ventanias.
 Um navio metamorfoseado pelas migalhas dos deuses acaba de empacar entre dois prédios, as sombras de vidro tentam se distanciar do rebanho. (É claro que muitos acham a caça patética e sórdida). Une Amérique qui fait peur. Os Rednecks de Gladstone só cumprimentam as aves selvagens, reconhecem o raio X da história somente Domingo à meia-noite no Baixo-Kansas. As rainhas guilhotinadas ostentam no ar uma cabeça de fliperama, as crianças apodrecem, aposentados brincam e a cidade poluída em volta.


A Detroit da Itália é parecidíssima com o Kansas, já nos sentenciou certa vez Edmund White em pleno pavilhão de exposições de gado no cais frio e agradável onde alguém toca saxofone debaixo da ponte dos cegos. Primeiro instantâneo: Com quantos mantras se chega ao Kansas? Com quantos mantras se manipula a selva? E quantos mantras são suficientes para se conquistar o Kansas City?

Kentucky

27 Novembro, 2007

O quarto-azul-horizonte, a aritmética do prazer e suas rotas de vento. Giletes subterrâneas de petróleo. O veneno do carnaval: as garras são guindastes e as cicatrizes são poemas visuais. Na opinião bem fundamentada de William Blake, é sobre as crateras do Kentucky que sairá a ”quinta raça”, a raça cósmica que realizará a concórdia universal, será neta das dores e esperanças da humanidade inteira. Os mártires do asfalto sabem melhor do que ninguém sobre os sacrifícios da bandeira: No Kentucky é carnaval todo final de mês pela comemoração da vitória apolínea do mundo, são doze os apolos de Kentucky saudados em uma macumba com muita cachaça e KFC em cima das estrelas do grande Estados Unidos da Vertigem. O nome do preto velho do Kentucky, portador da quinta raça, é Dom Cruzeiro das Almas, ou mais especificamente para os íntimos, Mr. Sailor of Souls. Para os navegadores do quarto azul-horizonte, a aritmética do prazer e suas rotas de vento levam sempre ao transe do babalorixá Coronel Sanders. Eles sabem que todo corrimão é movediço, os degraus, por exemplo, estão a todo momento se esfacelando sobre os pés… a estrada estava lá há dois minutos atrás, mas já não está. Ali na encruzilhada entre Fort Knox e Frankfort, cada mãe de santo recebe a graça do frango transgênico e ainda leva para casa um balde involuntário de tristeza. Sem dúvida nenhuma se comemora o carnaval!! Nos cafundós de Wasteland, Kierkegaard, o mulato dinamarquês, ensaia sua dança ao luar apolíneo desta míriade chamada Kentucky. O quarto azul do horizonte já se abriu. José Agrippino de Paula devora um frango frito enquanto espera pela quinta margem na Panamérica do nada.

Ponte Aérea Chicago-Dallas

27 Novembro, 2007

A América dos primitivos Valentine,um oásis sobre o deserto das fábricas,o formigueiro elétrico lança sua desvirtuada lenha de pássaros:a nova civilização grega será reinventada no próximo engarrafamento. O conglomerado vegetativo de Kansas City não impressiona os magníficos boulevards de Dallas.

Mulheres de vidro (os olhos e os bicos do seio feitos de pequenas pedras brilhantes), árvores dessa droga de mundo novo aqui na praça onde Kennedy bateu as botas. Os lugares se consomem, estou sempre a vinte milhas de Chicago. Todos sabem que a Nova Atenas brotará na ágora do Império dos Engarrafamentos. Perto do Lake Michigan em frente a South Loop, aqui na Soldier Field os poetas de Dallas ainda cantam sobre a Indian avenue, Sinatra, o “outsider” da Escola de Chicago, já o pressentiu muito bem. Vende-se dinheiro. O vôo magnético do titã de New Jersey Frank Sinatra.

 LOGOMAQUIA!!! Me encontre na Sears Tower, mais uma montanha. Skydeck é uma torre de pessoas, não um palácio de dólares. Mas não!!!!!!!!! Não importa onde eu vá, estou sempre a 20 milhas de Chicago. É tudo um grande Hyde Park. Vende-se dinheiro. Height to the structural or architectural top. Height to the highest occupied floor. Height to the top of the top. É verdade, os poetas de Chicago amam os bárbaros, não resta a menor dúvida. Height to the top of antenna. Overwing. Uma nova fórmula tubular de desconstrução. Efetivo transporte vertical. Os monstros da anatomia.Os lugares se consomem, eu só vim aqui para resgatar Eurídice,a orelha dela é minha.

Mensagem aos poetas da guerra

27 Novembro, 2007

“A guerra em geral me parece um efeito poético. As pessoas se julgam obrigadas a bater-se por uma qualquer mesquinha posse e não reparam que o espírito romântico as excita a aniquilarem as inúteis maldades através de si próprias. Elas levantam as armas pela Poesia e ambos os exércitos seguem uma bandeira invisível. Na guerra movem-se as águas primeiras. Novos elementos do Mundo devem nascer. A verdadeira guerra é a guerra religiosa; ela corre direta ao declínio, e a demência do homem se apresenta na sua forma completa. Muitas guerras, especialmente as que nascem do ódio nacional, pertencem a esta classe e são autêntica Poesia. Aqui estão os verdadeiros heróis, os mais nobres poetas, nada mais que involuntárias forças universais penetradas de Poesia. Um poeta que fosse herói de guerra, simultaneamente, seria já um enviado divino, mas a nossa poesia não está à altura da sua representação. “

Novalis

Os poetas da guerra, Los Almos ecoa em algum espírito romântico de Novalis ao New México. Bandeiras invisíveis ajudarão a raiar o dia e já não importa que mundo irá nascer, já não importa em que pulso se irá pulsar, em que sol de plástico irá caber? Já pouco importa. (Cada herói flutua)

Faça como aconselha aquela música dos Smashing Pumpkins:
Feche os olhos para ver a poeira dos anjos.
O unicórnio bestial do Apocalipse virá em um versinho dançante e hipnótico de Puff Daddy e nada mais. (Santa Fé é aqui; nesse bar, nessa calçada)

Mas e teu museu de radiação?
Estados Unidos da Vertigem.
Mas e tuas chuvas de silêncio?
Estados Unidos do Tédio.
Estados Unidos da Ilusão.

Os poetas da guerra serão os únicos possíveis nesse imenso poema talhado no céu aberto,
de Novalis ao New México, das granadas a cicuta;
torcemos todos.

Caminhamos.
A poeira dos anjos é nossa hóstia contra a imanência da televisão.

Philadelphia

26 Novembro, 2007

Não existem as cidades,
são nossas viagens que criam roteiros-mapas de superfície luminosa.
As cidades não existem,
só os encontros são reais,
as prolongadas conversas capazes de transformar qualquer lugar em praia deserta ao anoitecer.

Cláudio Willer 

Vem jogar areia no meu passado,
vamos mudar todas as placas de trânsito do lugar,
são nossas quatro asas contra o resto do mundo,
são quatro asas nossas nesse labirinto de vidro.
lente cáustica decadente: o minotauro dançante dos atropelamentos,
devorar esquinas até tudo se sentir pedra,
você toda vestida de engarrafamento:
as fichas se acabaram, os orelhões dos deuses estão ocupados.
poder curtir um McRimbaud na procissão dos desiludidos no amor,
Bruce Springstein caminha pelo resto da vida nessas calçadas de Philadelphia.
Ruas atômicas,
submarinos disfarçados de sóis que ofuscam a alma.
e quantas Parises não foram naufragadas, afogadas em Philadelphia?

A cidade é a grande igreja.
chuvas de janelas escorrem pelos galhos das tuas mãos,
flores nascem dos bueiros,
calçadas rolantes.

Cidade das auroras em slow-motion,
Cidade dos olhos de aquário,
Cidade dos cinemas de sussurros,
Cidade de asas estéries.

(the high street never looked so low)
nenhum anjo vai nos corromper.

Miami 2

26 Novembro, 2007

Colocar um nome nas coisas seria colocar etiquetas com seus preços. A poesia de Miami não classifica as coisas, é o poema da ausência de artigos, a polidez do frágil, cemitérios de arranha-céus. Venha ver os pincéis invisíveis formarem seus haikais de propagandas, venha ser visto pela televisão (espelho invertido), a tela forma o alfabeto. A poesia nasce do samurai nas coisas, da instabilidade. a história joga pela vidraça todas suas nuvens de chumbo. A censura é o próprio espetáculo, a inocência cósmica é o jogo a ser buscado. Bebês marcianos passeiam no costume do planeta, o sonho coletivo é a cidade, o filme absoluto. a grande partitura (cada degrau é um som, cada TV um caracol). Cabeças humanas com etiquetas, só o exílio sonoro da memória eletrônica nos salva, nos salvou do espiral da deusa imã sem sol. Cada recordação cria sua própria legenda, seus faróis de petróleo, que o abandono seja a própria festa, que os grafites elétricos sejam oráculo para nossa próxima bíblia. Que se possa respeitar os espíritos dos carros enguiçados. O sonho coletivo é a cidade, Miami, o único filme absoluto.