Kentucky

27 Novembro, 2007

O quarto-azul-horizonte, a aritmética do prazer e suas rotas de vento. Giletes subterrâneas de petróleo. O veneno do carnaval: as garras são guindastes e as cicatrizes são poemas visuais. Na opinião bem fundamentada de William Blake, é sobre as crateras do Kentucky que sairá a ”quinta raça”, a raça cósmica que realizará a concórdia universal, será neta das dores e esperanças da humanidade inteira. Os mártires do asfalto sabem melhor do que ninguém sobre os sacrifícios da bandeira: No Kentucky é carnaval todo final de mês pela comemoração da vitória apolínea do mundo, são doze os apolos de Kentucky saudados em uma macumba com muita cachaça e KFC em cima das estrelas do grande Estados Unidos da Vertigem. O nome do preto velho do Kentucky, portador da quinta raça, é Dom Cruzeiro das Almas, ou mais especificamente para os íntimos, Mr. Sailor of Souls. Para os navegadores do quarto azul-horizonte, a aritmética do prazer e suas rotas de vento levam sempre ao transe do babalorixá Coronel Sanders. Eles sabem que todo corrimão é movediço, os degraus, por exemplo, estão a todo momento se esfacelando sobre os pés… a estrada estava lá há dois minutos atrás, mas já não está. Ali na encruzilhada entre Fort Knox e Frankfort, cada mãe de santo recebe a graça do frango transgênico e ainda leva para casa um balde involuntário de tristeza. Sem dúvida nenhuma se comemora o carnaval!! Nos cafundós de Wasteland, Kierkegaard, o mulato dinamarquês, ensaia sua dança ao luar apolíneo desta míriade chamada Kentucky. O quarto azul do horizonte já se abriu. José Agrippino de Paula devora um frango frito enquanto espera pela quinta margem na Panamérica do nada.

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