Philadelphia

26 Novembro, 2007

Não existem as cidades,
são nossas viagens que criam roteiros-mapas de superfície luminosa.
As cidades não existem,
só os encontros são reais,
as prolongadas conversas capazes de transformar qualquer lugar em praia deserta ao anoitecer.

Cláudio Willer 

Vem jogar areia no meu passado,
vamos mudar todas as placas de trânsito do lugar,
são nossas quatro asas contra o resto do mundo,
são quatro asas nossas nesse labirinto de vidro.
lente cáustica decadente: o minotauro dançante dos atropelamentos,
devorar esquinas até tudo se sentir pedra,
você toda vestida de engarrafamento:
as fichas se acabaram, os orelhões dos deuses estão ocupados.
poder curtir um McRimbaud na procissão dos desiludidos no amor,
Bruce Springstein caminha pelo resto da vida nessas calçadas de Philadelphia.
Ruas atômicas,
submarinos disfarçados de sóis que ofuscam a alma.
e quantas Parises não foram naufragadas, afogadas em Philadelphia?

A cidade é a grande igreja.
chuvas de janelas escorrem pelos galhos das tuas mãos,
flores nascem dos bueiros,
calçadas rolantes.

Cidade das auroras em slow-motion,
Cidade dos olhos de aquário,
Cidade dos cinemas de sussurros,
Cidade de asas estéries.

(the high street never looked so low)
nenhum anjo vai nos corromper.

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