Colocar um nome nas coisas seria colocar etiquetas com seus preços. A poesia de Miami não classifica as coisas, é o poema da ausência de artigos, a polidez do frágil, cemitérios de arranha-céus. Venha ver os pincéis invisíveis formarem seus haikais de propagandas, venha ser visto pela televisão (espelho invertido), a tela forma o alfabeto. A poesia nasce do samurai nas coisas, da instabilidade. a história joga pela vidraça todas suas nuvens de chumbo. A censura é o próprio espetáculo, a inocência cósmica é o jogo a ser buscado. Bebês marcianos passeiam no costume do planeta, o sonho coletivo é a cidade, o filme absoluto. a grande partitura (cada degrau é um som, cada TV um caracol). Cabeças humanas com etiquetas, só o exílio sonoro da memória eletrônica nos salva, nos salvou do espiral da deusa imã sem sol. Cada recordação cria sua própria legenda, seus faróis de petróleo, que o abandono seja a própria festa, que os grafites elétricos sejam oráculo para nossa próxima bíblia. Que se possa respeitar os espíritos dos carros enguiçados. O sonho coletivo é a cidade, Miami, o único filme absoluto.