Arquivo para Novembro, 2007

1° Encontro de Divindades da Água de Minneapolis

30 Novembro, 2007

O constrangimento era grande. Era tudo o que se podia dizer sobre o primeiro dia do primeiro encontro de divindades da água de Minneapolis. Estavam reunidos representando seus devotados fiéis Posseidon, Iemanjá e Aquaman.  Iemanjá dizia contrariada que reconhecia a grandeza do Mississipi, mas que se fosse pra fazer o encontro numa cidade sem mar que chamassem a Iara. O Aquaman quis perguntar quem era Iara, mas disfarçou meio discreto enquanto observava o mau jeito do Posseidon com os hambúrgueres e a coca-cola… é não tinha néctar nem ambrosia… That´s Minneapolis you know?! A desolação era grande, mas nem Iemanjá conteve o riso ao ver uma sereia ressecada pelo frio escorregar no congelado Lake Harriet. Posseidon ficou puto e disse com voz tonitruante que se era pra essa palhaçada que tivessem chamado o Bob Esponja!  O Aquaman desconsertado e meio disperso pensando em seu contrato com a DC Comics lembrou da piscina de ondas e perguntou meio de soslaio se de repente aquilo não tinha mais a ver com um mar… We have the biggest wavepool of America!… Iemanjá e Posseidon se entreolharam enquanto o Boto Rosa resgatava a sereia acidentada e aproveitava pra dar uma cantada elogiando o novo corte das escamas. O sol do inverno em Minneapolis baixava e o fiasco era grande. Mas quando Posseidon cutucou a bandeira Americana com o tridente foi o Aquaman quem ficou puto e perguntou em tom de desafio o que aquela galera ali já tinha feito pelo mundo, pois apostava que a Liga da Justiça já tinha feito muito mais. Ao que recebeu resposta rápida e rasteira de Iemanjá que sentindo saudades de Ipanema e da Bahia suspirou perguntando pra que tanto super-herói pra passar o tempo todo só salvando Nova Iorque! O Boto Rosa meio sem noção perguntou com olhar maroto se o Aquaman ficava grávido igual cavalo marinho. Uma risada longa dos outros comparsas ecoou pelo pavilhão de encontros do hotel como maré…

Os Bastidores Anônimos de Kansas City

27 Novembro, 2007

para Edmund White 

A cruel noite chuvosa da América, para a noite voraz da estrada. Em algum lugar ao longo da estrada eu sabia que haveria garotas, visões e tudo mais, na estrada, em algum lugar, a pérola me seria ofertada. (…) Nessa época eles dançavam pelas ruas como piões frenéticos e eu me arrastava na mesma direção como tenho feito toda minha vida, sempre rastejando atrás de pessoas que me interessam, porque, para mim, pessoas mesmo são os loucos, os que estão loucos para viver, loucos para falar, loucos para serem salvos, que querem tudo ao mesmo tempo agora, aqueles que nunca bocejam e jamais falam chavões, mas queimam, queimam, queimam como fabulosos fogos de artifício explodindo como constelações em cujo fervilhante-pop!- pode-se ver um brilho azul e intenso até que todos ´´aaaaaah!“. Estávamos no teto da América e tudo o que podíamos fazer era gritar pelas ruas do Kansas City toda aquela coisa louca, palmeiras e drive-ins, uma terra prometida e esfarrapada, o limite fantástico da América numa aurora descolorida do entardecer rumo às planíceies do Kansas.”

Jack Kerouac


Kansas City é uma cidade enorme, do mesmo jeito que Milwaukee e Denver. Nova York é uma aldeia, Londres uma coleção de aldeias e Paris é uma roça. Um lugar onde se pode dormir o dia inteiro se quiser descolar heroína, ou se perder nos cafés filosóficos da cidade de Kansas. Em Kansas City se pode reparar uma estrambótica tolerância com outras raças e credos, é possível mastigar seus fantasmas, se pode até barganhar a própria esposa em um mini-shopping sórdido para gente assolada ao meio-dia.


Como afirma Edmund White, o Kansas City de futurista virou passé direto, nunca pertenceu ao presente. Além do mercado de pássaros e poules deluxe, você pode visitar os esgotos e catacumbas pelas eletricidades dos milagres da manhã.

No Kansas todos os bairros são normalmente lindos, atraentes e plenos de delícias insuspeitas, ídolos de vidro, paralelogramas de silêncio, tiranias mágicas que nos levam até as garotas de preto e os seus soturnos namorados existencialistas, exibem uma formidável agonia pela Johnson Douglas Avenue posando para fotógrafos das gélidas iluminações cintilantes.


Zeitgeist, as crianças tristes batem suas asas, aqui você não pode sofrer nem mesmo se for um poeta. No Kansas o espelho é tão grande que a multidão vaga feito louca pelas ruas famélicas, quase ninguém conhece os áridos bastidores anônimos, a paisagem alucinatória dos véus dos andaimes.

Aqui se acaba de desencavar outro templo etrusco no excessivo passado do Kansas que resplandece nos bairros calmos para turistas e viúvas de guerra (o excessivo passado não oprime mais). Em cada esquina do Kansas ocorre um milagre sobre os brilhantes trilhos suspensos do metrô levitação, ao lado de pardais esmioloando migalhas. O Nebraska finalmente é devolvido aos índios pré-históricos.

As famosas Kansas Hellfighters conversam em inglês arcaico nos inferninhos de Bricktop (na beleza impossível dos cabelos pintados de cor de tijolo), alguma coisa lembra os guinchos de uma girafa viajando em anfetamina, sempre ofertando a todos muitas plumas e um microfone de diamantes falsos, instantâneos mentais colecionados em álbuns.


Último instantâneo: As saídas art-noveau das escolas de tubarões, o flâneur vaga pela Platte Wyandotte, a um pulo de Bonner Springs, para o norte e leste. Conexão Constantinopla-Kansas, um quarto vivo em que as demolições e o som de cidades atropeladas conversam com a surdez dos fotógrafos de ar. Um museu de caça na nova Roma, o Kansas possui cantos bizarros onde o lance que alguém dá no leilão da imortalidade passa desapercebido pelos desastres fascinantes do teto devorado por asas de borboleta.


Pequeníssimos espamos de marionetes dimensionadas para uma raça de titãs: Crianças ululam e raspam o céu destes litorais sem molduras. Esquadrões de exímios orgiastas em seus costumes de veludo com apliques de fúria nos clubes do Haxixe de Prathersville, misses Américas andróginas nos santuários de febre, Paul Valery come montanhas rochosas de caramelo enquanto Jack Kerouac reclama da falta de sal nas correntes de relógios.


O Kansas City e suas mulheres acariciando unicórnios, um yankee flutua com seu umbigo ensandecido como se viajar de ácido pela Pleasent Grove fosse realmente possível. Mãos atadas nas árvores por de trás dele pessimamente desenhadas mais parecem segurar sua auréola na cabeça, chapéu de mendigo-rei,  jokerman nas fumaças de vias-lácteas e ventanias.
 Um navio metamorfoseado pelas migalhas dos deuses acaba de empacar entre dois prédios, as sombras de vidro tentam se distanciar do rebanho. (É claro que muitos acham a caça patética e sórdida). Une Amérique qui fait peur. Os Rednecks de Gladstone só cumprimentam as aves selvagens, reconhecem o raio X da história somente Domingo à meia-noite no Baixo-Kansas. As rainhas guilhotinadas ostentam no ar uma cabeça de fliperama, as crianças apodrecem, aposentados brincam e a cidade poluída em volta.


A Detroit da Itália é parecidíssima com o Kansas, já nos sentenciou certa vez Edmund White em pleno pavilhão de exposições de gado no cais frio e agradável onde alguém toca saxofone debaixo da ponte dos cegos. Primeiro instantâneo: Com quantos mantras se chega ao Kansas? Com quantos mantras se manipula a selva? E quantos mantras são suficientes para se conquistar o Kansas City?

Amor América

27 Novembro, 2007

A maior cena de amor Americana não é nenhum beijo de Humphrey Bogart e Ingrid Bergman… não tem Deborah Kerr nem Gregory Peck…. não é aquele beijo do soldado na enfermeira no final da Segunda Guerra. A maior cena de amor Americana é Jacqueline Kennedy Onassis subindo em desespero a capota daquele Ford modelo Lincoln para catar os pedaços explodidos da cabeça de John Fitzgerald Kennedy. São algumas dezenas de fotogramas da primeira dama repossuída em transe ensangüentando as mãos nos miolos daquele 22 de novembro de 1963. Lee Harvey Oswald matou Kennedy. Dois tiros cirúrgicos, um no pescoço e outro fatal na cabeça. Foi você mesmo Oswald?! Não! Oswald o teria devorado! Lee Harvey ex-marine. Até tu Brutus?! É presidente quem deu o tiro foi um dos teus… naquele dia D of the Big D, Dallas city. Don´t you mess with Texas mr. President. Sempre que vejo um beijo em preto e branco ou escuto ao longe o Sam tocando de novo em Casa Blanca lembro de Dona Jacqueline ajoelhada no carro já funerário em movimento atrás do cérebro espatifado do marido. Amar é ter nas mãos essa massa cinzenta que pensava a América! Cinzenta como a Lua que ele queria conquistar. Flicts. É… presidente naquele 20 de julho de 1969 lembrei de suas palavras. Um homem na lua. E você o que teria pensado Kennedy ao ver na distância aquele foguete Saturno V cortando os céus como a bala que cortou o ar até a sua cabeça?! “A small trigger for a mans finger but a giant blow for a human head!” Dona Jacqueline catando miolos para alimentar mortos vivos! Miolos!!! Miolos!!! Nada é por acaso nessa vida… Lincoln morreu na sala Ford do teatro Kennedy. Kennedy morreu num Ford modelo Lincoln. É… nada é por acaso nessa vida… Sempre que penso no amor na América penso em Dona Jacqueline ajoelhada apavorada apaixonada com as mãos empapadas de sangue catando a cabeça do marido. 

E Pelé disse: Love, Love and Love!

I am what I am and that’s all what I am

27 Novembro, 2007

Popeye de santo é o marinheiro
the Marines invadem algum Oriente Médio
todos herdeiros do sangue haitiano
da Hemocaribbean Company
um biscoito por um litro do seu sangue
nosso espinafre
Popeye de santo
pitando seu cachimbo
Popeye o caolho estourado
sub-camões aparvalhado
rei do terreiro
jogando os búzios
para seu rebanho de cavalos
onde montam Exu, Oxossi, Saravá

Popeye de santo
e seu despacho guerra santa
Olívia Palito de burca Talibã
marinheiro desembarcando no deserto
ao som de um Frank Sinatra pomba gira
Popeye de santo is the sailorman

Well, blow me down!
O petróleo é o meu espinafre! é o meu sangue!

Kentucky

27 Novembro, 2007

O quarto-azul-horizonte, a aritmética do prazer e suas rotas de vento. Giletes subterrâneas de petróleo. O veneno do carnaval: as garras são guindastes e as cicatrizes são poemas visuais. Na opinião bem fundamentada de William Blake, é sobre as crateras do Kentucky que sairá a ”quinta raça”, a raça cósmica que realizará a concórdia universal, será neta das dores e esperanças da humanidade inteira. Os mártires do asfalto sabem melhor do que ninguém sobre os sacrifícios da bandeira: No Kentucky é carnaval todo final de mês pela comemoração da vitória apolínea do mundo, são doze os apolos de Kentucky saudados em uma macumba com muita cachaça e KFC em cima das estrelas do grande Estados Unidos da Vertigem. O nome do preto velho do Kentucky, portador da quinta raça, é Dom Cruzeiro das Almas, ou mais especificamente para os íntimos, Mr. Sailor of Souls. Para os navegadores do quarto azul-horizonte, a aritmética do prazer e suas rotas de vento levam sempre ao transe do babalorixá Coronel Sanders. Eles sabem que todo corrimão é movediço, os degraus, por exemplo, estão a todo momento se esfacelando sobre os pés… a estrada estava lá há dois minutos atrás, mas já não está. Ali na encruzilhada entre Fort Knox e Frankfort, cada mãe de santo recebe a graça do frango transgênico e ainda leva para casa um balde involuntário de tristeza. Sem dúvida nenhuma se comemora o carnaval!! Nos cafundós de Wasteland, Kierkegaard, o mulato dinamarquês, ensaia sua dança ao luar apolíneo desta míriade chamada Kentucky. O quarto azul do horizonte já se abriu. José Agrippino de Paula devora um frango frito enquanto espera pela quinta margem na Panamérica do nada.

A Verdadeira Balada de Jackson Hole Valley

27 Novembro, 2007

“Ó garotinha linda, beije sua mula
Ó garotinha linha, beije sua mula
Que o jackson hole cowboy
Levantará seu chapéu para a gloriosa América”

A garotinha da famosa balada em homenagem ao famoso cowboy do Wyoming poderia ser Jenny, filha do proprietário do rancho Flat Creek, Damon Fuller. No rancho do Sr. Fuller não só as mulas, principal atração para as crianças, são famosas, mas também os búfalos reprodutores da raça Carabao. “A comunidade homossexual de todo o país vem até o meu rancho exclusivamente para apreciar o coito de meus búfalos!” Afirma Damon, enquanto o casal novaiorquino Jerry Liotta e Javier Cruz olham atentamente para a ereção que surge entre as quatro patas de Tony, o mais bem dotado búfalo do Flat Creek. “Em Nova York nunca veríamos um desses”, explica espantado Javier, nascido em Porto Rico. Porta de entrada para o parque de Yellowstone, Jackson parece um turbilhão de alegria e entusiasmo, até mesmo no inverno, quando cerca de 14 mil turistas, em sua maioria gays do sexo masculino, vêm assistir aos rodeios, visitar o parque nacional Refúgio dos Alces e, principalmente, fazer amor sob os picos nevados destas maravilhosas montanhas que se erguem no Wyoming. Isto sim é que é vida selvagem!

Verde Pasto Dólar

27 Novembro, 2007

há poesia no dólar
há poesia nas notas verdes
pasto de wall street!
uma vaca rumina uma barba verde de Abraham Lincoln
um mustag puro sangue cavalo alado galopa
nos pastos verdes das folhagens de dólar!

um cowboy viu poesia nos dólares
me contou Maiakóvski numa conversa Chico Xavier
a história de Damon Jim:
“depois de receber 250 mil dólares de herança alugou um trem de luxo inteirinho, encheu-o de vinho, amigos e parentes, foi para Nova York percorreu todos os bares da Broadway, torrou meio milhão de rublos de bens em dois dias e partiu em busca de seu mustang sem nenhum tostão, no estribo sujo de um trem de carga.”

Trem, vinho, dólares e um cavalo
THE AMERICAN DREAM!

todo americano sabe que o dólar é mais do que verde
é de cor indefinível
reagindo na química do cérebro
como angustiada cromoterapia

a América dos Americanos
daqueles que ganharam seu primeiro dólar!
é isso que faz de um Americano Americano
seu primeiro dólar
I´m proud of you my son
you´ve earned your first buck!
disse Huckleberry Finn antes de emborrachar-se
com o vinho tempo delírio dos duendes
Huckleberry Finn perdeu tempo
perdeu dólares

quem são os Americanos?!
vou ruminar também nos pastos verdes da América!

Ponte Aérea Chicago-Dallas

27 Novembro, 2007

A América dos primitivos Valentine,um oásis sobre o deserto das fábricas,o formigueiro elétrico lança sua desvirtuada lenha de pássaros:a nova civilização grega será reinventada no próximo engarrafamento. O conglomerado vegetativo de Kansas City não impressiona os magníficos boulevards de Dallas.

Mulheres de vidro (os olhos e os bicos do seio feitos de pequenas pedras brilhantes), árvores dessa droga de mundo novo aqui na praça onde Kennedy bateu as botas. Os lugares se consomem, estou sempre a vinte milhas de Chicago. Todos sabem que a Nova Atenas brotará na ágora do Império dos Engarrafamentos. Perto do Lake Michigan em frente a South Loop, aqui na Soldier Field os poetas de Dallas ainda cantam sobre a Indian avenue, Sinatra, o “outsider” da Escola de Chicago, já o pressentiu muito bem. Vende-se dinheiro. O vôo magnético do titã de New Jersey Frank Sinatra.

 LOGOMAQUIA!!! Me encontre na Sears Tower, mais uma montanha. Skydeck é uma torre de pessoas, não um palácio de dólares. Mas não!!!!!!!!! Não importa onde eu vá, estou sempre a 20 milhas de Chicago. É tudo um grande Hyde Park. Vende-se dinheiro. Height to the structural or architectural top. Height to the highest occupied floor. Height to the top of the top. É verdade, os poetas de Chicago amam os bárbaros, não resta a menor dúvida. Height to the top of antenna. Overwing. Uma nova fórmula tubular de desconstrução. Efetivo transporte vertical. Os monstros da anatomia.Os lugares se consomem, eu só vim aqui para resgatar Eurídice,a orelha dela é minha.

Copper Pit Mines Forever

27 Novembro, 2007

Paizinho costumava vir de Liberty Pit diretamente para a Big Four e o bolo de carne de mamãe esfriava, enquanto a verdadeira liberdade de meu velho esquentava no clube de dança. Um dia paizinho trouxe pra casa, dentro da mochila puída de couro uma lebre selvagem já morta e com cheiro de tabaco e álcool. Minha mãe que apesar de apanhar diariamente dos braços fortes e das mãos calejadas de meu pai, era vegetariana. Vomitou na pia do triturador e no dia seguinte eu sabia que nunca mais veria meu pai. Acordei no banco traseiro de nossa camionete que rumava em direção a California. Naquela mesma década fecharam o Liberty Pit e dias depois avisaram a minha mãe que meu pai fora encontrado morto na linha do trem. Era inverno e o deserto de Nevada ainda carregava nas costas uma densa nuvem cor de cobre da minha infância.

Fighting for Iowa

27 Novembro, 2007

Oh, we will fight, fight, fight for Iowa State And may her colors ever fly.
Iowa Fight Song
 

Cruzando de leste a oeste o glorioso estado de Iowa pastores de porcos da colônia alemã filiados ao Greenpeace interromperam o tráfico da rodovia 69 entre Ames e Des Moines. Os pastores protestavam contra a plantação de soja transgência no estado que, usada como ração, estaria afetando a saúde dos porcos. De encontro à manifestação vinha um grupo de produtores de etanol da colônia Irlandesa que queria cruzar a rodovia no intuito de chegar à capital para uma reunião sobre subsídios à produção do produto. Os porcos chafurdavam em poças de lama e estrume ao lado da rodovia enquanto os pastores tentavam empurra-los para o asfalto. Buzinas e gritos de porcos se misturavam ao som da canção de luta do Iowa entoada por um grupo de hispânicos que já se consideravam americanos e se sentiam no direito de reivindicar o greencard antes de tentar atravessar Minesota para fugir de possíveis retaliações num exílio forçado no Canadá. O caos atingia um ponto de tensão perto da ebulição. Quando estavam os irlandeses empurrados pelos hispânicos prestes a atropelar os porcos dos alemães alguém de etnia indefinida gritou o lema do estado: Our liberties we prize and our rights we will maintain! Perguntado sobre sua procedência gaguejou e não se sentia confortável para incluir-se em nenhuma categoria.

(Pausa dramática em silêncio profundo)

Encontrando um inimigo comum alemães, irlandeses e hispânicos sentenciaram o desertor que não conseguiria enquadrar-se nas rígidas definições étnicas americanas e que havia assim desonrado o glorioso lema do glorioso estado de Iowa.

“Homem de etnia não identificável é linxado por multidão na rodovia 69. Os hispânicos serão deportados” Era a manchete de um jornal do condado de Montgomery!